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No país do futebol, os gramados ainda são zona restrita para a população LGBT. Mas se depender de um time do Rio de Janeiro, o preconceito em campo está com os dias contados. A equipe amadora BeesCats, formada apenas por jogadores gays

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No Rio, time gay de futebol defende fim da homofobia no esporte

Publicado por: admin
08/04/2018 13:45:54
(Courtesy Pixabay)
(Courtesy Pixabay)

No país do futebol, os gramados ainda são zona restrita para a população LGBT. Mas se depender de um time do Rio de Janeiro, o preconceito em campo está com os dias contados. A equipe amadora BeesCats, formada apenas por jogadores gays, não tem medo de levantar bandeiras e de reivindicar que a paixão nacional é para todos, independentemente da orientação sexual e da identidade de gênero dos atletas e torcedores.

 

“O futebol é um esporte hegemonicamente heterossexual e machista. Ainda", avalia o jornalista e integrante do BeesCats, Flávio do Amaral. “Tanto que a gente vê esses cânticos de torcida que são homofóbicos e são feitos para insultar o outro chamando de ‘veado’, de ‘bicha’.”

 

Seu colega de chuteira e fundador do time, o roteirista André Machado, lembra que não há nenhum jogador profissional abertamente homossexual.

 

“O gay não tem espaço no futebol. Ele tem de jogar dentro do armário. O que a gente quer é que as pessoas sejam elas (mesmas)", defende.

 

Criado em maio de 2017, o BeesCats nasceu para chutar a discriminação para escanteio. A equipe reúne homens gays que querem praticar o esporte em um espaço livre da intolerância. Eles se encontram duas vezes por semana na zona sul do Rio de Janeiro. Na quarta-feira, para treinar e se preparar para competições. Na sexta, para uma pelada recreativa aberta a qualquer interessado.

 

André explica que o time faz parte de um movimento nacional — do ano passado para cá, o número de agremiações amadoras de futebol voltadas para homens gays passou de cerca de meia dúzia para 23 equipes em diferentes estados.

 

O estabelecimento do BeesCats foi inspirado em outro time, mais antigo, os Unicorns, de São Paulo. Os dois grupos, juntos com o também paulista Futeboys, instituíram a LiGay Nacional de Futebol, que promove em Porto Alegre, na próxima semana (14), seu segundo campeonato.

 

De acordo com o idealizador da equipe carioca, há quem critique a mobilização dos jogadores gays, acusados de "criar guetos" e aprofundar divisões na sociedade.

 

"Eu adoraria que não precisasse ter um time só de gay, mas o time tem uma função de militância. Esse movimento é para que, daqui a dez, 15 anos, possa ter um jogador profissional ou na seleção brasileira que seja assumidamente gay."

 

Esporte 'tem que ser libertador'

Entre os atletas do BeesCats, Douglas Braga traz nos calcanhares a experiência de ter corrido nos gramados do Cruzeiro, Madureira e Botafogo, último time pelo qual competiu. Aos 12 anos, ele saiu de Cataguases, em Minas Gerais, para jogar profissionalmente no Rio. Nove anos depois, decidiu aposentar as chuteiras para viver sem ter que se esconder.

 

“Eu não podia simplesmente demonstrar quem eu era. Eu não podia ter um amigo de quarto com quem eu conversasse sobre as angústias de uma adolescência", recorda Douglas, atualmente com 36 anos.

 

Para ele, se assumir quando ainda era atleta de alto rendimento "significava encerrar uma carreira". A solução era viver "num estereótipo", saindo com os companheiros de clube e frequentando festas onde todos estavam sempre rodeados por mulheres.

 

"É o que todo mundo precisa fazer para se manter num meio tão competitivo e heteronormativo”, afirma. “Eu não sei, se eu tivesse seguido a carreira como profissional e tendo que viver maquiado dessa forma, se eu seria feliz."

  

Após deixar a camisa alvinegra, Douglas retomou os estudos e se formou em Psicologia. Quando voltou a jogar por diversão, esbarrou mais uma vez na homofobia.

 

“É muito difícil quando você vai jogar futebol com uma galera e os caras sabem que você é gay porque eles já associam isso a uma promiscuidade ou algo nesse sentido. Já te olham errado, não querem que você vá.”

 

O ex-goleiro conta que "durante sete, oito anos, eu não encostei o pé na bola porque eu não achava quem jogasse e entendesse que, como gay, eu poderia jogar com eles".

 

Com os BeesCats, o ex-atleta encontrou "seu ninho" e aprendeu que o esporte "produz união e alegria". "Ele tem que ser libertador", conclui Douglas.

 

Diversidade no meio gay

Para o capitão dos BeesCats, Rodrigo Ziegler, o time também permite superar preconceitos entre os próprios gays. “Eu nunca imaginei que tivessem (outros) gays que gostassem de jogar futebol”, conta o administrador de empresas, que sempre frequentou estádios e peladas, mas acompanhado sobretudo de homens heterossexuais.

 

Ele conta que nunca passou por um episódio de preconceito no esporte. "Mas também eu nunca me assumi no futebol."

 

“Aqui tem gente de tudo que é lugar, de tudo que é classe social, de tudo que é segmento e nicho dentro do público LGBT. Todos eles se encontram aqui. O amor pelo futebol reúne vários grupos de gays", completa Flávio.

 

Recentemente, o BeesCats ganhou uma equipe feminina, com mulheres lésbicas que também são apaixonadas pelo esporte.

 

Os treinos femininos acontecem às sextas-feiras, à noite, no espaço Só 5 - Futebol Sem Parar, dentro do Clube de Regatas Guanabara, em Botafogo. No mesmo lugar e horário, ocorre a confraternização semanal aberta a todos os homens e mulheres que quiserem jogar com os BeesCats.

 

Os treinos masculinos são realizados às quarta-feiras, às 21h, no Aterro do Flamengo, em gramado público, em frente ao Hotel Novo Mundo.

 

Fonte: ONUBR

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