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Por Carlos Brickmann Houve época, caro leitor, em que no Brasil havia mais técnicos de futebol do que especialistas em vacinas. Todos eram capazes de perceber quando um bom time, bem dirigido, bem colocado, tinha entrado em crise e de repente ninguém m...

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Os sinais do naufrágio - Coluna Carlos Brickmann

Publicado por: admin
04/07/2021 06:31:13
Courtesy Pixaby
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Por Carlos Brickmann

Houve época, caro leitor, em que no Brasil havia mais técnicos de futebol do que especialistas em vacinas. Todos eram capazes de perceber quando um bom time, bem dirigido, bem colocado, tinha entrado em crise e de repente ninguém mais acertava um passe. Na frase de Vampeta, após uma temporada ruim no Flamengo, “eles fingem que pagam, nós fingimos que jogamos”.


Note quem cria problemas para Bolsonaro, na propina da vacina: os mais fiéis bolsonaristas. Luís Miranda, por exemplo, nunca fez política: era youtuber de sucesso nos EUA. Encantou-se por Bolsonaro, voltou ao Brasil e se elegeu deputado federal. Mas em poucos anos descobriu como as coisas funcionam. Seu irmão, servidor público de carreira, tomou uma prensa para liberar vacinas que ainda não tinham sido aprovadas, pagando antecipado, e sob ameaça de sofrer represálias se não concordasse. Não concordou e falou com o irmão, que foi a Bolsonaro. E daí? Nada. Revoltou-se, botou fogo na CPI. E já pensaram se ele tem a gravação da presidencial conversa?


O general Mourão é a chave da estabilidade do Governo. Sem que esteja de acordo, Bolsonaro pode até querer, mas golpe é difícil. Se topar, fica mais fácil o impeachment. Que disse Mourão para, digamos, defender Bolsonaro? “O Ministério da Saúde sempre foi um lugar onde a corrupção andou lá dentro, né? Então, eu vejo que isso é responsabilidade dos gestores que têm de estar atentos a isso o tempo todo”.
Ricardo Barros está sempre atento.


Questão de estilo
Mais Mourão: “Eu nunca soube que alguma coisa estivesse ocorrendo lá no Ministério da Saúde, né? Acredito que o presidente, quando tomou conhecimento, acionou o ministro, o Pazuello, para que investigasse o que estava acontecendo – que seria a mesma reação que eu teria, né?” Não é?


Cadê, cadê?
Por falar em gente do Governo que só atrapalha o Governo, por onde anda o Onyx Lorenzoni, gauchão bravo, de facão na bombacha, que ameaçou de perseguição o deputado Luís Miranda? Disse que a Polícia
Federal, por ordem de Bolsonaro, vai investigá-lo – não o caso, mas só os denunciantes. Disse que ele terá de se haver com o Senhor. E também com o pessoal do Governo.


Em seguida, ocultou a roupa pichada e sumiu. Cadê?


Resumão
Escolha nas ruas de sua cidade um ônibus todo maltratado, pneus carecas, visivelmente inclinado para um lado, um rangido de ferro por freada, passageiros saindo irritados e xingando o motorista. É questão de tempo.


Vacina velha, vencida
O laboratório anglo-sueco AstraZeneca trabalha com o Instituto Karolinska, da Suécia, com o Imperial College de Oxford, Inglaterra, sempre acima de qualquer suspeita. Têm fama de negociantes corretos e sólidos. Não foram eles, portanto, que mandaram 26 mil vacinas fora de validade para o Brasil. Enviaram as vacinas, mas com certeza chegaram a tempo e perderam a validade sabe-se lá por que – talvez algum acerto impossível, né? Eles só vendem direto da empresa para o Governo brasileiro.


O mesmo que, faz alguns meses, deixou encalhados testes de Covid até que o tempo, implacável, os envelhecesse. Essas vacinas, lemos, não fazem mal, mas não geram imunidade. Quem as tomou terá de ser novamente vacinado. A dez dólares a dose, são US$ 260 milhões. E esse desperdício é quase pequeno perto dos US$ 400 milhões envolvidos no pixuleco das vacinas indianas.


Deixa o homem trabalhar
Problemas no Ministério da Saúde, fogo amigo – não esquecer quem foi o primeiro a designar o filho 03 do presidente, Eduardo, de Bananinha. Sim, foi o general Mourão, sabe-se lá por que motivo. Há a ameaça permanente de que Luís Miranda apareça com a gravação de sua reunião com Bolsonaro. E, faça-se justiça, Bolsonaro não desiste e não para de trabalhar: agora festeja o que considera a inutilidade da CoronaVac.


Por algum motivo ele tem de ficar alegre, uai! “Abre logo o jogo. Eu estou aguardando aquele cara de São Paulo falar. Não deu certo essa vacina dele, infelizmente, no Chile. Aqui no Brasil também parece que está complicado. Torcemos para que essas notícias não estejam certas, parece que infelizmente não deu muito certo”.


O nome oculto nessas frases é o do governador João Doria, que trouxe ao Butantan a vacina chinesa CoronaVac. Só que não é o Butantan que fornece vacinas ao Chile, são os chineses. E, no Chile, houve alta de internações, só que basicamente entre não-vacinados. Lá, diz o Governo, falta vacinar mais.


A volta de Jade
Jade, nossa gata de estimação e analista política, volta de longa folga. Mas desta vez é para desabafar: está com nojo dessa gentalha que tenta enriquecer com a doença dos outros. Mil por cento a mais no preço da vacina, um dólar de pixuleco por dose.


Quem pode garantir que o inexplicável atraso na busca de vacinas não foi para garantir que haveria gente mais flexível nas ofertas?


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