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Autoridades temem que Trump revele segredos de segurança nacional dos EUA

Publicado por: admin
12/11/2020 11:51:59
Cortesia Pixabay
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Enquanto Presidente, Donald Trump revelou informações altamente confidenciais para atacar OS seus adversários, obter vantagens políticas e impressionar ou intimidar governos estrangeiros, em alguns casos colocando em risco as capacidades de inteligência dos Estados Unidos (EUA).

 

Já no papel ex-Presidente, tanto funcionários, como analistas e ex-chefes de Estado acreditam que Trump pode fazer o mesmo, o que representa um dilema de segurança nacional único para o governo Joe Biden, segundo escreveu Shane Harris num artigo publicado na terça-feira no Independent.

 

Todos os Presidentes deixam o cargo sabendo de informações sobre procedimentos para o lançamento de armas nucleares, recolha de inteligência – incluindo dentro de governos estrangeiros – e desenvolvimento de novos sistemas de armas. Contudo, segundo essas autoridades, nenhum novo Presidente teve que temer que o seu antecessor pudesse expor os segredos do país, como pode acontecer agora com Biden.

 

Além de já ter divulgado informações secretas anteriormente, Trump está “endividado e zangado” com o Governo dos EUA, particularmente com o que descreve como uma conspiração que acredita ter tentado impedir que ganhasse a Casa Branca em 2016 e considera estar a privá-lo da reeleição.


“Qualquer pessoa descontente, insatisfeita ou prejudicada corre o risco de divulgar informações confidenciais, seja como atual ou como ex-ocupante do cargo. Trump certamente se encaixa nesse perfil”, indicou David Priess, ex-oficial da CIA e autor do livro “The President’s Book of Secrets”.

 

Como Presidente, Trump teve acesso a todas as informações confidenciais do governo e autoridade para desclassificar e compartilhar qualquer uma delas. Depois de deixar o cargo, ainda terá acesso aos registos confidenciais da sua administração. Mas a capacidade legal de divulgá-los desaparece quando Biden tomar posse, em janeiro.

 

Muitos especialistas notaram, porém, que Trump pretou pouca atenção durante os ‘briefings’ de inteligência, não tendo demonstrado grande entendimento sobre os temas relativos à segurança nacional.

 

“Um Presidente experiente e informado, com as características de Trump – incluindo falta de autodisciplina -, seria um desastre. Mas ele não estava a prestar atenção”, disse Jack Goldsmith, que dirigia o Escritório de Assessoria Jurídica no Departamento de Justiça da administração George W. Bush e é coautor de “After Trump: Reconstruting the Presidency”.

 

Embora as hipóteses de que Trump conheça detalhes sobre inteligência sejam poucas, está a par de fatos significativos sobre o processo de coleta de inteligência, valiosos para os adversários.

 


Joe Biden

“O Presidente encontra e possivelmente absorve grande parte da capacidade que há ao nível de inteligência”, indicou John Fitzpatrick, um ex-oficial de inteligência e especialista em sistemas de segurança usados ​​para proteger informações confidenciais, inclusive após a saída de um Presidente.

 

O tipo de informação que Trump provavelmente saberá, continuou Fitzpatrick, inclui capacidades militares especiais, detalhes sobre armas cibernéticas e espionagem, os tipos de satélites usados ​​pelos EUA e os parâmetros de quaisquer ações secretas que, como Presidente, apenas aquele tinha o poder de autorizar.

 

Trump também sabe de informações sobre espiões norte-americanos e plataformas de coleta, que poderiam expor as fontes mesmo que este não soubesse exatamente como as informações foram obtidas.

 

Os especialistas concordam que o maior risco que Trump representa fora do cargo é a divulgação de informações. Mas não descartaram que este possa negociar segredos, em troca de favores, para obter vantagem com clientes em países estrangeiros ou para se vingar dos seus inimigos. Quando deixar o cargo, enfrentará uma dívida esmagadora, incluindo centenas de milhões de dólares em empréstimos.

 

“Pessoas com dívidas significativas sempre são motivo de grande preocupação para os profissionais de segurança”, disse Larry Pfeiffer, um veterano de inteligência e ex-chefe de equipa do diretor da CIA Michael V Hayden. “A condição humana é frágil. E pessoas em situações terríveis tomam decisões terríveis. Muitos dos indivíduos que cometeram espionagem contra o nosso país são pessoas que estão financeiramente vulneráveis”.

 

Na prática, há pouco que o governo Biden possa fazer para impedir Trump de revelar segredos nacionais, visto que os ex-Presidentes não assinam acordos de sigilo quando deixam o cargo, mantendo o direito de acessar a informações da sua administração, incluindo registos confidenciais. “Fora dos limites da Lei de Registos Presidenciais, não há limites, exceto o comportamento do Presidente”, referiu Fitzpatrick.

 

Biden pode recusar dar a Trump quaisquer instruções de inteligência, algo que ex-Presidentes recebem antes de se reunirem com líderes estrangeiros ou embarcarem em missões diplomáticas a pedido do atual Presidente.

 

“Acho que essa tradição termina com Trump. É baseado na cortesia e na ideia de que os Presidentes podem convocar os seus predecessores para obter conselhos. Não vejo Biden a ligar para Trump para falar sobre questões de segurança nacional e inteligência. E não acho que Biden o enviará a lugar algum como emissário”, acrescentou.

 

A última linha de defesa poderia ser um processo criminal. A Lei de Espionagem foi usada com sucesso para condenar atuais e antigos funcionários do Governo que divulgam informações que prejudicam a segurança nacional do país, medida nunca usada contra um ex-Presidente.

 

Fonte/Publicado: Planeta ZAP //

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